sábado, setembro 19, 2015

[Review] ULTRAMAN: A Estrela de Ultra Resplandece, Uma Vez Mais!


Existem heróis. Existem mitos. E existe Ultraman.




Eu já citei o Donald como meu primeiro herói de quadrinhos. Mas o meu primeiro herói da ficção foi o Gigante Prateado da Galáxia M78. Muitas das poucas lembranças da infância que me restaram envolvem assistir as aventuras desses heróis emborrachados, mas que ajudaram a formar meu caráter como pessoa. Venho acompanhando a evolução das Séries Ultra sempre que aparecia algo novo, como uma série, filme, game...ou mangá.

Desnecessário dizer o quanto eu SURTEI quando soube que esse mangá sairia aqui, pela JBC...eu estava em São Paulo na véspera do anúncio, numa livraria da Liberdade com uma pessoa querida, passeando por lá, e vi um volume japonês desse mangá na prateleira. Peguei esse volume, folheei, virei e disse pra ela "quer ver como é uma questão de tempo de alguém licenciar esse mangá aqui?". Ainda tenho a suspeita de que o Cássius Medauar estava passando por lá e me ouviu dizer isso, e fez a licença em tempo recorde só pra me sacanear no dia seguinte...mas deixa pra lá.

O importante é que, meses após o anúncio no Anime Friends, enfim peguei o primeiro volume nacional de ULTRAMAN, publicado aqui pela JBC. E querem saber? É uma das melhores coisas que saiu NESTE ANO em se tratando de mangá por aqui. Sério.


Fator Ultra. PAIS e Filho. 


O mangá tem início anos após o final da primeira série Ultra, com o Ultraman clássico partindo de volta a M78, desfazendo sua simbiose com o oficial Shin Hayata, da Patrulha Científica, e levando as memórias dele de todo o tempo que esteve em fusão com seu hospedeiro humano. Só que o corpo de Hayata não saiu como era antes no final das contas; seu genoma fora modificado, herdando características sobre-humanas, o chamado "Fator Ultra". O tempo passou, e Hayata virou Ministro da Defesa, ao mesmo tempo que casou-se e teve um filho, Shinjiro, que obviamente herdou os genes de seu pai, e isso inclui o mesmo Fator Ultra.

Lutando nas sombras contra alienígenas infiltrados na sociedade humana, a idade começa a pesar contra o Sr. Hayata, e em meio a uma batalha contra um inimigo misterioso do passado, Shinjiro resolve tomar o lugar de seu pai (tecnicamente, um de seus pais; pode-se considerar o Ultraman original como o outro, do ponto de vista genético...) e encarar essa nova e perigosa luta.

Como um novo herói. Um novo ULTRAMAN.


A nova Patrulha Científica: Moroboshi, Shinjiro, o veterano Ide e Ed. Sim, é um Alien Zetton!
Com uma nova armadura lembrando o Ultraman original, Shinjiro usa seus poderes a serviço da nova Patrulha Científica, que atua nas sombras como se fosse uma espécie de MIB no controle dos alienígenas, apesar de oficialmente não existir mais. E conforme o mangá progride, as consequências da revelação de aliens vivendo na Terra e a presença de um guerreiro lembrando o Ultraman do passado tem um desenrolar impressionante e cheio de muita ação, referências e tributos as séries Ultra. Como fã estou muito tentado a dar spoilers, mas vou (tentar) me segurar...

Ah, vale mencionar os responsáveis por ULTRAMAN: o roteirista Eichi Shimizu e o mangaká Tomohiro Sakaguchi, que foram os responsáveis por Linebarrels of Steel, aonde fizeram também um ótimo combo de boa arte e bom roteiro (olha a dica, JBC! :3). Mas, daonde surgiu a idéia pra esse mangá? De uma boa chance perdida pros Kamen Riders...
Era um mangá foda esse Hybrid Insector. ERA

Hybrid Insector era um doujinshi (fanzine) que Shimizu e Sakaguchi publicavam em seu site pessoal. A história era uma continuação dos Kamen Riders clássicos (que apareceram antes do BLACK) em que os humanos entraram em guerra com os Riders, e o protagonista era filho de um humano modificado (como os Riders originais) que ganhava novos poderes usando um sistema de transformação parecido com vários Riders de agora (armaduras tecnológicas). A história progredia bem, até que no capítulo nove, a Toei tem a brilhante decisão de mandar os artistas pararem com o mangá e removê-lo do site. 

Claro, pois quando dois artistas de uma mangá renomado fazem uma história alternativa que poderia render uma boa grana se publicada com respaldo oficial eles devem ser postos em seu lugar com um belo cease-and-desist, correto? SÓ! QUE!! NÃO!!! A Tsuburaya viu a possibilidade e deu liberdade pra eles mexerem com seus próprios heróis, e hoje estamos tendo o resultado desse trabalho aqui. Claro que a Toei talvez tenha ficado com medo da zuação com sua cronologia (que ela mesma consegue avacalhar de uma forma que dá inveja a Marvel e DC).

E vem a pergunta: o mangá de ULTRAMAN é canônico ou não? Vale na cronologia dos Ultras? A resposta é simples. SIM, e NÃO.



Da esquerda pra direita: Gaia, Tiga, Dyna, Cosmos, Ginga, Victory, Zero, Mebius, Max e Nexus. Dez Ultras de sete universos diferentes.

Se há uma diferença de organização entre a Toei e a Tsuburaya é que, enquanto a primeira não sabe o que faz com a cronologia e farofeia com seus Kamen Riders e Super Sentai toda hora, a Tsuburaya fez o caminho mais lógico: usou um lápis. Ou seja, reconheceu a existência de vários universos diferentes englobando quase TODOS os personagens Ultra criados por ela. O conceito de multiverso não é nada estranho pra fãs de Marvel e DC, mas a Tsuburaya tem sido bem cautelosa quanto a isso; a interação entre Ultras de outros universos foi apresentada claramente nos filmes Mega Batalha na Galáxia Ultra (com a ponta do Ultraman Dyna) e  Ultraman Zero - A Vingança de Belial (onde Zero viaja entre universos) que saíram aqui pela Focus e estão disponíveis no Netflix (com uma EXCELENTE dublagem, diga-se de passagem!). Resumindo: dá pra encaixar sim como uma sequência direta do primeiro Ultraman. Ou não, caso lhe incomode na "sua cronologia pessoal". Mas ainda é um ótimo mangá!


Não acho tão mal ter idols em ULTRAMAN. Ao menos não são as Kamen Rider Girls...

Em suma, o mangá ULTRAMAN pode ser considerado uma sequência, em que não vieram outros Ultras pra Terra, só o original. Ainda assim há uma cacetada de referências ao universo Showa (correspondente a Ultraman, Ultraseven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace, Ultraman Tarô, Ultraman Leo, Ultraman 80 e Ultraman Mebius, os três últimos disponíveis oficialmente aqui pelo Crunchyroll), tanto em situações quanto em personagens, como é o caso do sério e implacável Moroboshi, cujo nome remete ao foderoso Ultraseven, e que chuta bundas mesmo sem ter os dons naturais que Shinjiro tem, E não são apenas referências ao universo clássico, como no caso de Rena Sawada, a idol que tem o mesmo nome do interesse amoroso de Daigo, vulgo Ultraman Tiga, que pertence a um universo separado junto com Dyna. Enfim, tem MUITAS referências a várias coisas que deixam esse mangá ainda melhor pra quem for fã de carteirinha dos Ultras.

Eu assinei, mas fui correndo comprar uma edição quando me disseram que já tinha chegado na Cultura de Porto Alegre.
E eu daria um couro em uma tropa de Baltans pra pegar esse volume!

A versão nacional ficou MUITO boa. Podem me chamar de paga-pau, mas eu gosto do trabalho da JBC. Com páginas coloridas no primeiro volume, e tradução esplêndida, a edição está, digamos, 99,99% perfeita. Só um detalhe mancha um pouco, que é uma pequena "transparência" entre as páginas. No caso de uma arte rebuscada como a deste mangá, acontece de vez em quando uma área clara de uma página mostrar um "espelho" do que está na página anterior. Isso incomoda muitas pessoas (eu até sou indiferente), mas é algo que até pode ser corrigido sem muito esforço, nada muito chato. 

A edição em si está primorosa. O trabalho de edição do Cássius Medauar e a sempre ótima tradução da experiente Drik Sada fazem jus ao capricho que esse título precisava aqui. tirando o detalhe da impressão, não vejo grandes problemas. Só o fato da periodicidade ser bimestral, por razões óbvias...



Oia o Bátima dos anos 80 - só que não!

É um título pra lá de recomendado, seja você fã ou não de Ultraman e/ou tokusatsu em geral. É um ótimo título de ação com uma arte acima da média. Um excelente exemplo de releitura e reimaginação de um ícone cultural para um novo século, que tanto inova em cima do material original e ao mesmo tempo não falta com o respeito e as boas memórias em cima desse clássico. 

E não se esqueçam:

Não vá pra escola de estômago vazio!

Ponha as cobertas pra rua se o tempo estiver bom!

Tome cuidado com os carros ao atravessar a rua!

Não dependa demais dos outros!

E brinque com os pés descalços!


(sim, é do Ultraman Jack, mas ainda é uma ótima filosofia de vida!)




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