quarta-feira, dezembro 31, 2014

Reflexão de 2014: Como Escrever Reviews Que PRESTEM!


Eu IA fazer algo parecido com o ano passado e apontar cinco animes que foram os mais interessantes deste ano maldito, mas na madrugada passada tive um papo via Skype com o Carlírio do NETOIN! que rendeu um tópico interessante que nunca expus pra muita gente. É sobre como eu acho o modo de muitos colegas de blogosfera postarem reviews serem extremamente medíocres. Ou, em bom e claro português popular brasileiro, uma baita duma merda.

Se faço melhor? Em relação a alguns por aí, a resposta é "óbvio que SIM". Mas de modo geral, o problema pra grande parte da blogosfera do meio não é apenas desconhecer e/ou ignorar o conceito de ÉTICA que aqueles que criam conteúdo (pseudo) jornalístico deveriam seguir (tem o caso aí de um site da CAIXA e aquele que ERGUE AS MÃOS que é tão ridículo que nem vale comentar, mas é um exemplo claro disso), mas principalmente a ausência de um critério de avaliação claro e consistente, adaptado a obra em si; que seria não o modo mais "correto", mas o mais "eficiente".

Como esse modo pode ser afirmado como o mais eficaz? Oras, porquê um dos maiores críticos da história o usou desde tipo...sempre. Roger Ebert.



Ebert não é nome estranho pra estudantes de cinema e/ou jornalismo que estão estudando de verdade em vez de fumar orégano pelo campus. Já falecido desde 2013, ele deixou um estilo marcante de se fazer críticas de cinema, avaliando um filme de acordo para o público que se destina, ou seja, "Relativo, não Absoluto". Na verdade, ele mesmo DEFINIU como se faz uma boa crítica de cinema, com esse simples padrão que TODOS os críticos, deveriam seguir como base pra seus textos. E infelizmente, muitos bloguerinhos nem sequer o conhecem...

 Tipo, porquê avaliar um filme como Hellboy comparando-o com Sobre Meninos e Lobos, quando os gêneros dos dois filmes não tem porra nenhuma a ver um com o outro? Se sua crítica é pra ter algum valor, você vai avaliar Hellboy tomando como base O Justiceiro, que tem mais ou menos a ver entre si por serem de gênero similar (o popular filme-pipoca). Dito isso, Ebert avaliou ele mesmo Hellboy numa escala de 1 a 4 como nota 3, O Justiceiro como nota 2 e Superman: O Filme como nota 4. Nenhum dos três filmes citados pode ser comparado a Sobre Meninos e Lobos, pois não tem literalmente porra alguma a ver com esse (excelente) drama.

Entenderam o conceito? Já vi anos atrás numa revista um mocorongo fazendo o ridículo de avaliar Tenchi Muyo GXP não só comparando a série de TV com os filmes do Miyazaki, como também com os feelings dele pelos OVAs originais. Ridículo. Da mesma forma, tem uns e outros aí que pregam que os únicos animes que você deveria ver são aqueles do noitaminA "por terem uma proposta diferenciada" e o resto do que sai pra TV é dispensável...

...aham, sei. "Diferenciado" se resume aqui a criar um público besta que DEVERIA comprar os DVDs dos animes do bloco pra sustentar a produção do mesmo. Esses intelectualóides pseudo-cults não compram os DVDs, e aí os produtores do noitaminA são forçados a tentar agradar tanto o público besta que não compra nada quanto o que compra material "inferior" aos olhos da base já instalada. E é daí que vem propostas zuadas por servir a dois senhores como Guilty Crown...
 

...e também [C] - The Money of Soul and Possibility Control, que era realmente MUITO promissor pela proposta, mas também foi zuado pelos conceitos de formato do bloco em si.



[C] e Guilty Crown ficaram deslocados no noitaminA e avacalhados por tentarem adequar eles ao formato do bloco, mas já pararam pra pensar se eles fossem conceitos desenvolvidos por uma Madhouse ou Sunrise da vida? Se desenvolvidos pro público que importa, ou seja,  a massa mais comum, seriam lembrados como sucessos, provavelmente até seguindo com mais sequências e material extra.

Eu citei o caso desses dois animes porquê, tentar atirar pra todo lado não apenas falha na produção de mídia (a menos que seja a Disney), mas também em avaliar o quanto essa mídia é interessante pra um público em especial. É importante lembrar desse detalhe quando se avalia alguma coisa: Para qual público foi criada essa mídia, e qual a receptividade entre o público que consome essa mídia em si é o ponto que deveria interessar primariamente em críticas. Digo isso porquê uma das funções dos críticos geralmente é interpretada de forma errada pelos mesmos: a "Formação de Opinião". A leitura que muitos fazem desta é "criar uma opinião 'correta' que deve ser seguida pelo leitor", e que está mais do que errada. A VERDADEIRA (ou pelo menos, a mais justa) leitura é "criar uma opinião que ajude o leitor a desenvolver a sua própria opinião". É a falta desse conhecimento somada ao desejo por fama e popularidade que faz a maioria das críticas de blogueiros nacionais totalmente dispensáveis e pueris.

Ou resumindo de forma direta e clara, pura merda sem valor pra criar uma base de leitores consciente .

Pra fechar essa discussão (por hora, preciso sair pros festejos de Ano Novo ASAP), fica uma das várias frases interessantes de Roger Ebert, que também sumariza um pouco do que desenvolvi na corrida sobre esse tópico: "Eu acredito que todas as pessoas de mente aberta devem permanecer de duas formas durante suas vidas: curiosas e dispostas a aprender."

Pensem um pouco nisso, colegas de blogosfera que sabem muito bem que eu costumo falar coisas de grande utilidade quando me disponho a escrever, certo?

E já que falei de Guilty Crown há pouco...



Bem, VÁ PRO C*RALHO, 2014, ANO MALDITO DO INFERNO!
Não siga esse exemplo e seja um ano MUITO melhor, 2015!


2 comentários:

Natália Maria disse...

Taí um nome e um conceito que eu desconhecia. Bom, ao menos já conheço à partir de agora um nome importante do jornalismo. Esse é um detalhe importante. Vou tentar levá-lo a sério quando for escrever minhas próximas resenhas....


Até

Animahou disse...

Interessante o post, até porque justamente hoje me questionava não somente sobre a qualidade mas especialmente a relevância do que escrevo.
É realmente um ótimo ponto este de "contextualizar" as coisas, mas provavelmente o fato da blogosfera estar inundado de adolescentes acaba causando estas opiniões "amo"/odeio".
Bacana a sua participação no Senpuucast aliás.

Té mais