quarta-feira, junho 12, 2013

A Paixão Impossível de Donald: Saga da Rainha Regina, Parte 1!


 

Histórias românticas nem sempre são sinônimo de "felicidade".


Eu já devo ter dito isso no passado, mas a Itália é um dos nichos mais criativos do mundo em se tratando de quadrinhos. E em certos casos tem muitos fumetti italianos que dão sova de chinelo molhado em muito mangá por aí. E especialmente se tratando de quadrinhos da Disney produzidos lá. 


E é a mais pura verdade. E sim, eu falo MUITO sério.

Um exemplo vem justamente da ousadia deles na produção de um material licenciado como os quadrinhos da Disney. Tirando algumas poucas linhas que eles não costumam atravessar (com frequência), as equipes criativas dos quadrinhos da Disney Itália conseguem criar histórias fenomenais. Vamos por desta forma: o que vocês viram a SquareEnix fazer com Kingdom Hearts é ótimo, mas a Disney Itália já faz isso de forma ainda melhor faz décadas...e até fizeram o Donald ter um affair com uma rainha alienígena...

Yep, isso mesmo. Em termos mais técnicos: O Donald meteu um par de chifres na Margarida!

Calma lá! Lembrem-se de uma verdade que eu já disse tempos antes no review que eu fiz de Negimaru, os doujinshi adultos de Negima: "É necessário haver uma justificativa plausível e aceitável para um personagem bem conhecido agir de maneira diferente ou extrema em relação ao que se conhece do mesmo." E isso é mais do que uma verdade com um personagem com o qual crescemos, como o Donald. É preciso uma boa razão, ainda mais pra me convencer, já que ele é de longe é o número 1 dentre os meus personagens ficcionais favoritos.

A razão é simples: ele se apaixonou. Uma paixão sincera e real.

Pois bem. Se tem uma coisa que facilita as coisas pros autores da Disney Itália, é que os arcos de histórias são auto-contidos, e salvo raríssimas exceções, ainda que não violem as bases fundamentais de cada personagem estabelecidas pela matriz gringa, não interferem umas nas outras. Por isso, eles tem essa facilidade de desenvolvimento. Eles podem viajar a vontade e violar o quanto queiram o status quo determinado pela matriz, desde que ele seja restabelecido no final.

E talvez seja por isso que essa paixão do Donald é tão triste. Ela é impossível...

Porém, diferentemente dos mocorongos que atualmente mandam na "Maravilhosa Casa das Idéias" e em sua "Distinta Concorrência", eles não tiram uma solução da bunda como pactos com o tinhoso ou reescrevem a realidade com mega-sagas esdrúxulas. Os autores da Disney Itália são exemplares por respeitar o leitor e não tomá-lo como idiota; eles se preocupam em explicar de forma clara e coerente, dentro da história, as razões das coisas voltarem ao lugar comum de sempre. 

Well, chega de papo à toa. Deixem-me contar a triste história da paixão impossível de Donald e Regina...


Capítulo 1: "Aventura Submarina" 

           
Nosso amigo Fauntleroy estava com um sério problema de não poder seguir o seu passatempo da vez sem levar arpoadas na bunda. Depois de tanto se ferrar, ele decide procurar um recanto mais oculto, um lugar pra se mocosar e poder mergulhar sem se preocupar em levar estocadas no fiofó. Ele encontra uma tal Baía Silenciosa, onde ninguém vai graças a um monte de rumores de gente sumindo por lá. Cabeça-dura como sempre, ele ignora isso tudo e se manda pra tal baía. Ele acaba sendo pego por aliens que se escondem em uma cidadela debaixo do lago após a nave que os levava cair na Terra, deixando-os presos sem chance de retornar pra casa. Regina é a rainha deles, e se interessa por Donald à primeira vista. Este, após um processo que o separa não só do corpo terrestre dele mas como de todas as suas memórias, conhece a história dos aliens refugiados.


A situação deles é ímpar; vindos de um planeta chamado Comprimidus, eles existem em um ritmo temporal acelerado, fora da sincronia do resto do planeta; no nosso espaço de tempo normal eles envelhecem em questão de minutos, o que é inevitavelmente fatal. Sem a possibilidade de interagir com os terráqueos (e nem o interesse, sabendo como somos "gente finíssima"), e sendo um povo pacífico, eles vivem na deles sob uma cobertura abaixo da Baía Silenciosa. . E o sentimento é recíproco...

O problema é que Donald acaba dando uma demonstração de covardia que pega muito mal aos olhos do povo de Regina, que mesmo muito apaixonada, precisa seguir suas obrigações como regente. Ela não tem escolha a não ser mandar restaurá-lo ao seu corpo normal e mandá-lo de volta para Huguinho, Zezinho e Luizinho, que procuravam o tio que tinha sumido de repente no fundo do lago.



Mesmo ainda atordoado sem saber se o que tinha passado era realidade ou sonho, o medalhão que ganhara de Regina ainda estava com ele. Donald joga-o ao mar e parte com os meninos de lá, jurando jamais revelar o segredo dos aliens sob o lago. Mas esse é só o começo...







Não tinha como eles se esquecerem facilmente. E isso fica evidente quando o medalhão que Donald joga ao mar acaba indo parar nas mãos de Regina. Ela não consegue esquecer o pato, e claro que isso dói. E muito.




Pra tentar fugir dessa dor, ela ordena que seus cientistas achem um meio para que voltem ao seu planeta, tudo pra tentar fugir do sentimento de não poder ficar junto de quem ama e poder ser a regente que seu povo precisa. Donald também não consegue esquecê-la; mesmo mantendo o segredo, os meninos se tocam que o tio deles está estranho. Mas ele tenta tocar a vida, ainda que mais vazia do que antes.

A situação do povo de Regina muda por completo quando, não só Comprimidus, seu planeta natal, se aproxima da Terra. E é uma chance única de voltar pra casa. Mas eles precisam de uma peça que só pode ser conseguida no mundo exterior. Com o sacrifício de parte da energia vital de seus súditos, Regina sai de seu reino para conseguir as peças. No caminho ela topa com uns manés pentelhos. Donald, que estava por perto, sem lembrar em nada o covarde daquela vez no reino submarino, resolve as coisas com pura "diplomacia"...



Ah, a ironia do destino...




Eu sei que vai soar meio gay isso, mas...AWWWWWW!!!!^^

Os dois se esquecem da vida, se recolhem em uma cabana no meio do nada e matam a saudade...tocando violão (ei, ainda é uma história da Disney, não pensem...o que não devem!)



Vocês podem tomar como uma metáfora, do que quiserem...



Só que as coisas pioram, e muito; não só o tempo pra regressar pra Comprimidus está passando, mas a redoma protetora está a ponto de desabar e o reino sob o mar ser destruído. A dor da decisão de Regina de mais uma vez, deixar o seu amado em função de seus deveres é realmente de cortar o coração...







Ela não tem escolha a não ser deixar um bilhete e sair correndo para seu povo, enquanto Donald dorme tranquilamente, sem sequer imaginar o que se passa. E Regina chega no último segundo, o suficiente pra botar a nave pra funcionar e partirem. Donald acorda, lê o bilhete e, ao sair pra rua...




E essa foi a segunda vez que se separaram. Mas não a última que se encontrariam... 


Não, não termina aqui. Há mais três partes desta saga tão melancólica e uma das melhores histórias da Disney Itália que já li. Mas aprendi com Madoka Magica que dá pra se dividir em uma, duas, ou mesmo três partes um artigo gigantesco...

A melhor parte desse arco de histórias, não é apenas contar de uma forma única o amor entre os dois, mas mostrar também como Donald pode dar o melhor de si mesmo, e demonstrar muita coragem e determinação se ele tiver uma forte razão, um motivo pelo qual vale a pena lutar. É fantástico ver o Donald lutando com toda a garra para defender seu amor, por mais impossível que ele seja. Claro, já vimos o quanto ele pode ser foda como o Superpato (ESPECIALMENTE a partir de PKNA) e como o agente Donald Duplo (DoubleDuck), mas nas histórias com a Regina vemos o Donald mais "normal" sem ser um super-herói, usando todas as suas forças como um cara (ou melhor, pato) normal. Lutando da mesma forma que nós mesmos lutaríamos.

O roteiro da saga veio da mente de Rodolfo Cimino, um grande mestre, que infelizmente nos deixou em 2012, com a arte (exceto na quinta parte) do fantástico Giorgio Cavazzano, um dos mais notáveis e inovadores artistas da Disney Itália, que influenciou gerações de artistas. Seu estilo lembra um pouco o mangá não pelo traço, mas sim pela expressividade e dinamismo de seu traço. É de longe um verdadeiro mestre, e que ajudou a definir o estilo único dos quadrinhos Disney produzidos na terra da bota. A combinação do roteiro forte de Cimino com o traço de Cavazzano, que realmente passa a parte emocional necessária pra história, é talvez um dos principais fatores que faz essa história ser praticamente obrigatória pra qualquer um que goste de bons quadrinhos, independente de onde eles sejam feitos.



Finalizando (por hora)

OK, eu estou encerrando essa parte deste artigo, e com uma boa razão: se vocês derem uma procurada, ainda podem catar os dois primeiros capítulos em uma versão revisada, pois a Abril os publicou aqui nas revistas Disney BIG, edições 19 e 20. e segundo o que o grande Paulo Maffia, o editor super-gente fina (pra aturar as minhas perguntas, tem que ser mesmo!) dos gibis da Disney aqui no Brasil, é bem provável que eles publiquem as demais partes. Vale notar que a parte 5 da saga, nunca foi publicada aqui antes, mas é certeza de que sai aqui também.

Não recomendo scans, não só por eles serem baseados nas versões mutiladas das história publicadas aqui, mas especialmente pra dar um incentivo pra Tio Maffia & cia trazerem mais bom material pra cá. Vocês sabem bem disso: se eles conseguem vender, eles convencem a chefia deles a trazer mais coisa boa pra cá. Um ciclo simples e justo, considerando o ótimo trabalho deles!

E na continuação do artigo, vocês verão que até mesmo o Tio Patinhas pode agir de uma forma bem diferente do "normal", mas muito, MUITO duca! Allons-y!








4 comentários:

Carlírio Neto disse...

Saudações

Pode parecer impressão muito precoce a minha, mas esta história de amor está intimamente ligada a uma das verdades mais obscuras da sociedade humana: a divisão por classes.

Quando a nobreza não pode ter um relacionamento com alguém da "plebe" e vice-versa...

Acho isso deveras fantástico e, muito embora eu não tenha mais a paixão de épocas infantis pelos quadrinhos mais convencionais, devo aqui ressaltar que fico contente ao notar que o conhecido Pato Donald acabou tomando parte de uma história deste nível...

Ótimo post, Raphael.

Até mais!

Ale Nagado disse...

Cara, nunca li essa HQ que menciona e fiquei bastante interessado em saber mais. Realmente, parece o tipo de enredo que não se espera de algo da Disney e, por isso mesmo, seu efeito dramático é multiplicado. Gostei, ainda vou querer ler esse material.

Grande dica!

Abraço!

Raphael Soma disse...

@Carlírio: Não, não é a luta de classes, não há isso em momento algum na história. O problema de Regina é o senso do dever para com o povo dela e as decisões que ela precisa tomar para o bem deles, em detrimento da própria felicidade.

Essa parte do peso que a coroa exerce sobre ela é evidente durante todas as partes da saga. É uma sina triste...

@Nagado: Essas histórias são realmente bem tristes. E o Cavazzano se puxa pra transparecer isso muito bem na arte dele. Não é a toa que eu chamo o cara de Mestre. Ele merece mesmo!

Weverson Noia disse...

Gosto muito de drama e romance,gosto quando exploram o sentimento humano,como o amor pode dar força,mas ao mesmo tempo pode derrubar até aqueles que parecem indestrutíveis!

Agora eu preciso ler isso! muito!

Existem ótimas histórias em todos os lugares e mídias,como HQs,filmes,livros e até em músicas de vocaloids!