sábado, abril 30, 2011

Madoka Magica Review : Parte 1 - Desconstrução


Pois é, Madoka Magica enfim terminou. E como prometido, vou expor minhas opiniões e as várias idéias que passaram pela minha cabeça referentes a este anime que foi a maior e melhor surpresa dessa primeira temporada de 2011. Vocês sabem que é muito raro eu tratar de animes aqui no nbm², ainda mais que um monte de gente já faz isso com mais interesse do que eu, já que “do resto” sou eu quem cuido, certo? E pra que eu esteja fazendo isso vocês sabem que só pode ser algo no nível próximo de um Code Geass ou Gundam 00 da vida, ou seja, realmente bom.

Só que notei uma coisa após ver alguns reviews, tanto nacionais quanto gringos, sobre o final da série: quase todos citaram o termo “desconstrução”. Mas me pergunto...quantos dos leitores (e certos autores, pra ser justo) sabem do que se trata? Bem, citar o próprio Madoka como exemplo poderia ser válido, mas não é bem assim: esse conceito merece uma análise melhor e mais detalhada, talvez até servindo como referência pra outras coisas depois. Afinal, a desconstrução de um gênero de ficção é parte da receita de sucesso de muitas obras que hoje são “clássicos” para nós.

E por isso, meu prometido post sobre Madoka será dividido em dois: este primeiro vai explicar direitinho e de forma mais geral sobre o que vem a ser essa tal de desconstrução e como ela funciona na ficção em geral. E além disso, eu tava mesmo a fim de dissecar algum tópico mais a fundo sem ser os que eu posto no Meta Sekai...E no próximo artigo, eu vou simplesmente postar um monte de coisas sobre o que passou na minha cabeça a respeito do anime, como minhas opiniões e teorias curiosas. E ter visto o tamanho que ficou o arquivo de texto me ajudou a tomar essa decisão também...

Isso também serve pra dar uma chance para quem ainda não viu o anime (como muitas pessoas normais, por exemplo) ir fazer uma pequena maratona e ver o resto antes da segunda parte desse artigo.

Definições e Conceitos Gerais

Para uma obra de ficção servir a seu propósito de criação (contar uma história) é necessário, falando de uma forma geral, que aquele que está lendo, ouvindo ou assistindo essa obra tenha a boa vontade de aceitar a falta de realismo dessa obra. Bem, é por isso que chamamos de ficção, certo? Se pararmos para analisar bem, um monte de obras ficcionais tem elementos que sabemos bem que não iriam funcionar na vida real. Coisas que sabemos que ninguém (que esteja em seu juízo perfeito) faria em uma situação similar. Sim, e vocês, meus queridos leitores já devem ter pensado de imediato em umas nove ou dez situações vistas em mangás, animes, livros, filmes, seriados e outros mais.

Até aqui, todos concordamos que, muitas vezes essas coisas comuns na ficção não teriam a mesma graça na vida real, além de, na maioria dos casos, ser totalmente ridículo de se fazer. Bem, a menos que você esteja no meio de um evento cheio do mesmo tipo de aloprado que você ou amarrado numa camisa de força...

Aí é que está o ponto que nos interessa; se um autor resolve ele também prestar atenção nesses elementos absurdos da ficção e ele mesmo cria uma obra que expõe esses pontos de divergência entre ficção e não-ficção, ele pode muito bem acabar criando um exercício de desconstrução do gênero daquela obra. A desconstrução consiste em expor justamente em uma história as contradições de um ou mais elementos presentes no gênero ao qual a história pertence. Esses elementos são geralmente questionados ou postos em xeque quando postos em situações mais verossímeis.

Essa é uma definição muito básica, mas serve pra começar. A seguir, ao citar alguns exemplos de obras, vocês vão perceber e entender o conceito de desconstrução de forma bem melhor.  

   
Os Simpsons – Vida e Morte de Frank Grimes 

Para um primeiro bom exemplo, eu obviamente tenho que começar com “O Inimigo de Homer”, definitivamente um dos episódios mais sombrios dos Simpsons, isso se não for o mais sombrio. Nele fomos apresentados a Frank Grimes, um modelo de americano como os americanos gostam: abandonado aos 4 anos, desde criança ele trabalhou como entregador de presentes para crianças ricas, em vez de ir para a escola. Aos 18, ele foi pego numa explosão de um silo e passou por uma longa recuperação no hospital. E aos 35, ele conseguiu seu diploma de física nuclear num curso por correspondência.

O Sr. Burns viu a saga do cara na TV e mandou o Smithers trazer ele pra trabalhar na usina. Como no minuto seguinte o velho viu um cachorro salvando uma criança no mesmo programa em vez da vice-presidência, Grimes ganhou um trabalho na seção 7-G da usina. É, lá com o Homer.

E lá ele começa a se emputecer cada vez mais com o Homer, mais do que o normal. Bem, o Homer sempre foi bem Joselito com todo mundo mesmo, mas Grimes logo após tomar uma reprimenda por uma c*gada do nosso amigo comedor de donuts declarou-se inimigo de Homer

Pra tentar corrigir as coisas, Homer convida Grimes para jantar na casa dele. Só que o efeito é contrário: ao ver como a vida foi boa pra Homer, que quase não se esforçou pra conseguir nada, e ele próprio, que foi certinho e andou mais na linha que um paladino, ainda que só tenha levado bem no meio da b*nda a vida toda, não tem nada além da roupa do couro e um quartinho de pensão do tamanho dum banheiro.  


A coisa evolui ainda até o momento em que Grimes surta de vez, começa a fazer coisas que Homer faria: “O que é isso? 'Perigo, alta voltagem' Bem, eu não preciso de luvas de proteção, afinal eu sou Homer Simp-BZZZZZZTTTTTTT!  FATALITY! E ele vira chouriço...

Ao se olhar de novo o mesmo episódio de forma mais analítica (e descartando a parte do Bart ter comprado uma fábrica velha, que está lá só pra aliviar um pouco o clima), dá pra se notar mesmo que esse é o episódio mais sombrio que foi feito com a família amarela em todos esses anos que a série está no ar. Durante o episódio, Homer faz as c*gadas de sempre (afinal, é o Homer), e Grimes o critica...como nós mesmos faríamos na vida real. Não dá pra culpar Grimes quando ele literalmente surta depois de ver Homer fazendo o que ele faz melhor (?) e sempre se dando bem, enquanto ele se ferra por agir como...gente real. Agora pensem: e se vocês estivessem no lugar de Frank Grimes, passando uma situação semelhante?

Notem que o episódio responde uma pergunta, que nunca é feita abertamente: “O que aconteceria se uma pessoa normal entrasse no universo dos Simpsons?” mas cuja resposta mais provável é clara no episódio. Este é um exemplo claro de desconstrução, neste caso, do próprio cartoon dos Simpsons assim como do formato que ele e outros cartoons que vieram no mesmo embalo seguem, como Family Guy e South Park De fato, este é um dos episódios preferidos dos fãs da série (eu incluso), inclusive do próprio Matt Groening. 

E o longa da série também faz um exercício de desconstrução; notem que no filme, a c*gada que o Homer faz é tão épica que desta vez nem a Marge aguentou, e olha que ela suporta as presepadas dele há mais de dez anos!

Temos um bom exemplo do ocidente aqui. Vamos a um vindo de um game...



Pokémon Black & White – Auto-Contestação e Fuga de Paradigmas

Nada melhor que um game superior a Final Fantasy 13 pra função. Na verdade, tem Yggdra Union também, mas vamos a Unova primeiro...

Os produtores de B&W anunciaram que queriam fazer uma releitura do primeiro game com o novo título, e de fato conseguiram, especialmente no enredo. Pela primeira vez vemos contestações a coisas corriqueiras na série, como crianças de 10 anos (aham, a Bianca tem 10 anos com aquele corpão violão...) saindo a correr o mundo caçando pokémons. E também botando-os pra brigar, claro. É curioso alguém ter pensado nisso depois de mais de 10 anos da franquia, fora as piadas do Ash ainda estar com 10 anos...


 Vemos também o mais interessante antagonista da série até hoje, N (também conhecido como Natural Harmonia Gropius), o único dentre todos eles que conseguiu ter sucesso em seus planos (até você conseguir botar tudo nos eixos, claro), e que diferentemente de verdadeiros monstros FDPs como Cyrus (de Diamond, Pearl & Platinum) ou o seu pai DEEENIS Ghetsis, N tem uma boa intenção. 

Ele foi criado em meio a pokémons maltratados por pessoas, por influência de Ghetsis, que fez assim para que ele crescesse acreditando que pessoas e pokémons deveriam ser separados (ou melhor dizendo, para que quem não estivesse sob o seu comando não tivesse o poder dos monstros de bolso para oferecer resistência). N, acreditando que estava fazendo a coisa certa, consegue aliar-se a Reshiram/Zekrom (dependendo da versão) e simplesmente passa um rodo na Elite Four e no Aldeck, o Campeão da Liga. N é um anti-herói e tanto, que se aparecer no anime Best Wishes ele merecia ser dublado pelo Jun Fukuyama...mas o Hiroshi Kamiya ficou ainda melhor!

Um extremista pra lá de bem intencionado (e que aumentou a quantidade de fujoshi jogando Pokémon em uns 300%), que foi usado pelo m*rda do pai dele. Claro que você depois tem a chance de chutar o fiofó do Ghetsis (eu recomendo ter um pokémon com Ice Beam pra dar conta do Hydreigon dele rápido e evitar spam de Full Restore nessa hora). Mas que N é um dos melhores personagens da franquia, ele é de longe. Não duvido que ele comece a dar uma de bicão que nem a Shirona/Cynthia e comece a aparecer em outros games de Pokémon também (e já está escalado para aparecer em Pokémon Black & White 2).

Mas a desconstrução ocorre desde sempre em Pokémon Special, um dos mangás oficiais da franquia que rola desde o primeiro game. Um ótimo mangá, que a cada arco trata do game da vez, e que os criadores do game declararam que aquela seria a visão que eles próprios tem do universo do Pikachu. Que tal ir atrás dos scans agora? Ou vai dizer que é coisa pra criança, sendo que tem ATÉ MORTES acontecendo?

Sim, mortes em um mangá de Pokémon. Interessou agora?



Yggdra Union – Guerra DEFINITIVAMENTE Não é Brincadeira... 

É o primeiro game na cronologia do Dept. Heaven (Riviera The Promised Land e Knights in the Nightmare são no mesmo mundo), e um dos melhores RPGs táticos que joguei; não só no sistema, mas especialmente pelo seu enredo, que desconstrói de forma dura e cruel a guerra em si, e os ideais de justiça. Eu até poderia dizer que ele é um dos (se não o) paralelos mais perfeitos com Madoka Magica no formato de um game, pois assim como o assunto que originou este post, o visual fofinho dos personagens mascara e faz você se sentir ainda pior quando a m*rda começa a voar no ventilador. Ou melhor, voar na turbina a jato.


Ele começa com a derrota do Reino de Fantasinia para o Império de Bronquia. O imperador Gulcasa liquida com a maioria do exército e também o rei, mas a princesa Yggdra sobrevive e consegue escapar com a poderosa espada Gran Centurio, relíquia da família real. Com a ajuda do ladrão Milanor, ela organiza um exército de libertação para acabar com Bronquia. Afinal, a Gran Centurio é uma relíquia que simboliza a justiça. E como Yggdra está com esse símbolo, obviamente ela é a representante máxima da justiça. Por isso tudo que ela fizer com esse objetivo de derrubar o Imperador Gulcasa é válido, certo?

Será mesmo?

Conforme o enredo do game avança, você percebe que Gulcasa e praticamente QUASE TODO MUNDO a quem Yggdra, Milanor e seus aliados enfrentam lutam pela justiça em que acreditam. E nesse momento você começa a questionar QUEM é o verdadeiro protagonista da história...

Pior que após jogar Riviera e Knights in the Nightmare, você começa a perceber que o que aconteceu em Yggdra Union se refletiu nos dois games citados. De facto, se certo rumo tivesse sido tomado no enredo de Yggdra Union, MUITAS coisas ruins poderiam não ter acontecido em Riviera e KiTN...

Riviera e Yggdra Union saíram pra GBA e ganharam ótimos remakes pra PSP. Knights in the Nightmare saiu pra DS e PSP também. Mas há ainda Blaze Union que é exclusivo do PSP, que conta justamente a saga de Garlot e da criação do Império de Bronquia, e aí você tem absoluta certeza de que Gulcasa não é bem um vilão (apesar de ser um FDP de se vencer na versão de GBA). Você percebe bem que não há vilões na guerra em Yggdra Union, só lados opostos. E não tem como se ter ódio da coisa mais próxima de um antagonista, depois de se saber exatamente as ligações deste game com o resto dos demais games do universo do Dept. Heaven...

HA! Faz melhor se puder, Mass Effect! Não consegue? Awwww :P



Concluindo a Primeira Parte...

Já ouço alguns pensando “ué, o tio Soma não vai falar de exemplos em anime?”, e eu respondo: pra quê? Afinal de contas, acho que já fiz a parte mais difícil, que foi fazer vocês terem uma noção da abordagem da desconstrução. É mais fácil ensinar a pescar (ou a escolher a caixa de filé de peixe mais barata no supermercado) do que dar o peixe já frito. Acho que vocês já podem procurar essa resposta por si mesmos. Melhor ainda, agora, ao assistir de novo Madoka Magica, fica mais fácil entender aonde foi que eles fizeram a desconstrução do gênero Mahou Shoujo. Lembrem das convenções normais do gênero e identifiquem aonde foi que Madoka Magica mexeu com esses padrões. Por isso que não falei muito da série aqui, isso fica para a segunda parte.

Vai ser melhor que vocês mesmos tirem suas conclusões, e no segundo desta série de posts eu vou postar sobre as conclusões que eu mesmo tirei durante a exibição da série. Sem ordem ou protocolo específico, mas vou simplesmente mandar minhas idéias...as conclusões ficam a critério de cada um.

Se for para sugerir alguns animes, posso fazer isso então; assistam não só Madoka Magica, mas vejam pelo menos um dentre: Gundam OO (mais eficaz após ver Gundam SEED); Shoujo Kakumei Utena (em cima de mangás shoujo, especialmente os de Riyoko Ikeda) ou Digimon Tamers (série de monstrinhos, é?). Três exemplos citados de cabeça que são perfeitos exemplos de desconstruções do próprio gênero nativo. E o fazem de maneira exemplar, sendo séries pra lá de excelentes.

Ah, Evangelion? Em vez do anime , eu recomendo mais os projetos paralelos como o visual novel Girlfriend of Steel (que tem tradução por aí, ainda que um tanto complicado de achar) e especialmente o mangá Gakuen Evangelion. E claro, a excelente série de doujinshi Re-Take, do Studio Kimigabuchi. São mais de 800 páginas que, apesar de grande parte do doujin ser hentai (é o mesmo estúdio do Negimaru, lembram?), faz uma abordagem ótima da franquia que aquele emo do Anno nunca seria capaz de fazer sem um porre de Fanta Uva com barbitúricos...sim, eu ODEIO esse cara! 

Vale lembrar também que, apesar das várias semelhanças, a desconstrução não é exatamente a mesma coisa que o movimento pós-moderno do Superflat. Há muitas coisas em comum, e eu poderia dizer que o Superflat usa o processo de descontrução para seu fim de crítica (o que acontece, de fato). Mas é muito nó pra pouca corda. E como é mais complicação que o necessário, isso basta por hora.

Mas isso basta por hora. Na segunda parte eu vou falar mais de Madoka mesmo. E bota falar nisso...

Ah, sim...futuramente, falarei com mais do que apenas palavras escritas. Aguardem e confiem^^ 

sábado, abril 16, 2011

Life of Maid 227: Cofrinho Genocide, Again!

Imaginem o que vai acontecer se realmente for verdade o rumor do console novo da Nintendo... 

Se bem que pra não querer um 3DS,  só um Sonysta bocó mesmo^^

Touhou 13: Saiu o Demo do Game!


Myon! Saiu o demo do novo Touhou, e esse tem surpresas interessantes. Mas nada de spoilers...


Link tirado deste tópico, do fórum do Santuário Hakurei. Se você quer achar mais doentes que gostam de Touhou, lá é o lugar que vai fazer você se sentir em casa. Ele tá ali na barra lateral nova, já notaram?

domingo, abril 10, 2011

Vai Cair Temporal, Tio Soma Mexeu no Blog!!!


Na verdade, é algo que fazia tempo que eu deveria ter posto; duas barras de links. A primeira são de amigos mais próximos, muitos deles que me seguem há tempo no Twitter ou que converso mais frequentemente via MSN ou mesmo pessoalmente. Por isso que os considero meus nakama. Já a segunda consiste de sites que costumo visitar com certa frequência. A maioria é de sites gringos, mas há alguns nacionais. Para esses sites daqui, podem considerar uma proposta de parceria comigo, se quiserem. Se quiserem pelo menos uma troca de links, fiquem a vontade. Não faço exatamente questão, mas se quiserem botar o link do nbm² em seus sites, eu agradeço já antecipado.

Qualquer coisa, basta colocar um meio de contato (email ou MSN) nas respostas deste tópico. E o resto das mudanças pro blog virá em breve...pelo menos antes do fim do ano, espero^^ 

sábado, abril 09, 2011

Aquapazza: Now With MOAR Konomi (& Morgan)!


Mais personagens confirmados para o game: agora, Konomi Yuzuhara (de To Heart 2) e Morgan (de Tears to Tiara) se juntam ao quebra-pau. Confiram o trailer:


Também dois novos suportes são revelados no novo vídeo: Yuki Morikawa, de White Album (este aqui, não aquele outro que seu pai talvez tenha), e Ulthury/Urutori (de Utawaerumono), assim como um novo estágio baseado em White Album.

Mais novidades...ah, vocês já sabem, certo?

sexta-feira, abril 01, 2011